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O MENOR DOS MENORES

extracapa

Em meio a uma tristeza gigantesca pela morte de um oficial da qualidade do capitão Uanderson, de um profissional e, acima de tudo, de um ser humano correto, trabalhador, pai de família, somos obrigados a voltar os olhos repletos de lágrimas para algo mesquinho e evidentemente menor: a capa do jornal EXTRA desta sexta-feira, dia 12 de setembro.

Numa tentativa de fazer algo “diferente” ou “interessante” ou, que Deus me perdoe, “DIVERTIDO”, o EXTRA estampou na capa o jogo “Combate”, no qual a peça do comandante está caída. Na peça, a foto do capitão Uanderson. Sim, a morte do pai de uma criança de seis anos, do marido de uma capitão agora viúva, que não se cansará de prantear seu amado, foi usada para “mostrar o quão criativo é o jornalista do Extra”

Acredito que entre eles deve haver prêmios. Que um editor do Extra até receba bonificações para fazer estas capas mirabolantes. No dia seguinte há apertos de mão, tapinhas nas costas, salamaleques, cafezinhos com editores.

Enquanto isso, para a viúva do capitão, não houve dia seguinte. Ela ainda está no mesmo dia, um longo dia, inesquecível, doloroso, que começou no 11 de setembro, para ela o pior 11 de setembro da história. O dia que ela passou no hospital aos prantos, e que vai se encerrar no enterro em Sulacap.

Talvez a intenção do Extra tenha sido expressar indignação. Mas…contra quem? Contra o governo? Contra o secretário? Contra o comando? Contra o comando das UPPs? Contra Deus?

Porque vejo indignação sobrando para todos os lados. Menos para o bandido. Na opção que nossa sociedade fez em prol do bandido, não há indignação contra eles. Viramos todos Renés Silvas, tuitando contra a PM, contra a UPP, contra o governo, contra policiais, praças, oficiais, mas fazendo vista grossa para o bandido – sempre vítima. Sempre um pobre coitado que foi forçado a pegar um fuzil para sobreviver. Oh! Mas com esse fuzil ele mata pessoas! Bom, se forem policiais, não há problema, policiais já estão acostumados a morrer. A PM, para mentalidades como a do EXTRA, é sempre problema, nunca solução.

Esta mentalidade explica porque o EXTRA transforma o ser humano policial em uma coisa, em uma peça de jogo. Porque eles não estão preocupados em chorar por uma vida – estão pensando mesmo é em como podem aproveitar a OCASIÃO para falarem mal de alguém, para buscarem culpados, desde que os culpados não sejam os criminosos. Nessa busca, vale dizer que faltava colete, que o capitão estava sem colete, que a PM tem fuzil que trava, que a pistola não funcionou, que havia policiais de menos, policiais de mais, que havia alguma tramóia, enfim, qualquer coisa desde que não se possa dizer que a responsabilidade pela morte do capitão Uanderson é de um criminoso que atirou com seu fuzil.

Soube da morte do capitão Uanderson no mesmo dia em que soube que haveria um filme sobre a vida do Amarildo. Um filme sobre a vida de alguém que, puxa, sabe-se lá. Seu “mérito” foi dar um cadáver para ser explorado pelas esquerdas – as esquerdas precisam de tragédias para provar suas teses exatamente porque estão sempre do lado que não tem embasamento algum. A esquerda pensa que tem o monopólio da condenação dos mal-feitos – mas não entendem que qualquer governo de direita, capitalista, liberal, condena igualmente os erros das polícias. Só que estes governos não fazem propostas esdrúxulas como “acabar com a PM” ou “desmilitarizar” ou “garantir os direitos dos criminosos”. A esquerda faz, mas em função da população em sua maioria rejeitar as propostas idiotas, acaba implorando por um Amarildo para enfim achar eco para suas campanhas torpes.

Nós policiais muitas vezes cometemos erros semelhantes: aproveitamos a morte de nossos semelhantes para fazer expurgos, para denunciar (aos jornais e aos bandidos) que estamos sem fuzis, sem viaturas, sem coletes, desprotegidos. Não são o mesmo erro, claro – mas é semelhante. Entramos no pranto das viúvas para denunciar os nossos problemas, quando na verdade deveríamos esperar um pouco.

São verdadeiros e muitos, os nossos problemas. Mas nenhum deles é maior do que o que passa a viúva do capitão Uanderson. Todos os nossos problemas são menores perto deste problema.

E o EXTRA, meus amigos, com todas as canalhices e cafajestagens que fazem, é de fato o menor dos problemas – porque nada é menor do que o EXTRA.

RENÉ E OS GAVIÕES

Este artigo é um convite para meus poucos leitores difundirem uma reflexão – que nós, evidentemente, faremos juntos ao longo destas linhas. Quero analisar dois casos que, aparentemente, não têm a menor relação – mas é justamente a associação dos mesmos que permite tomar algumas conclusões fundamentais para a tomada de decisões – tanto de administradores públicos quanto de eleitores.

Em primeiro lugar, quero me deter no jovem chamado René Silva. Como a maioria sabe, ficou conhecido como “blogueiro do Alemão” e, na condição de “favelado” e “excluído”, foi imediatamente adotado pelas organizações Globo como “símbolo de favelado que subiu na vida tomando iniciativas”. Tenho algumas restrições a esta assertiva, mas vamos continuar. Até mesmo diretores da Globo passaram a interagir com René no Twitter – diretores que, normalmente, exigem agendamento prévio para conversar com pessoas “do asfalto”.

Casas de intelectuais na Zona Sul, donos de programas (como Regina Casé) imediatamente “adotaram o garoto”.

Mas uma rápida análise no que o rapaz costuma postar e estranharemos o seguinte: René jamais reclama abertamente do tráfico, e de sua ocupação de favelas – condição sob a qual ele cresceu e com a qual convive. Mas frequentemente faz “denúncias” sobre desvio de conduta de policiais (exemplo, se algum policial procede uma revista comum e fala de forma áspera, ele faz um escarcéu e aciona contatos na Globo) e reclama dos tiroteios, mas sempre neste último com sujeito indeterminado. Aponte-me uma postagem sequer em que ele fale diretamente “ah, esses traficantes”.

Claro, o leitor acostumado ao consumo de drogas ilícitas e ao compartilhamento de partes do corpo utilizadas apenas para saída de alimentos já processados vai me dizer:

- Como você quer que ele fale mal dos traficantes? Ninguém garante a vida dele lá! Ele vive com o tráfico ao lado!

Sim, fato. Mas eu aproveitaria então para chamar a atenção de um detalhe: hoje, René convive com policiais TAMBÉM. E não se furta em falar mal deles, em falar mal da Pacificação.

Compreenderam a diferença? Por mais que haja problemas na PM – e nós, policiais militares, jamais seríamos idiotas ao ponto de não saber e admitir isso – esta é republicana, é governamental, é instituída, e o cidadão tem com quem reclamar. No caso do René, com a Globo, por exemplo. Já os traficantes que convivem com o René, ora, estes não precisam dar satisfações. Podem matar, roubar, estuprar, fazer de tudo, sem se preocupar com reputação ou com punições.

Daí então o comportamento do René Silva: como dizia Robert E. Howard, “bárbaros tendem a ser mais corteses que os homens civilizados porque sabem que têm chance de terem ossos quebrados”. René é mais educado com o tráfico porque sabe que pode sofrer conseqüências graves. Já a PM é diferente: se um policial – e Deus nos livre – ferir René, cai o comando da PM e a TV Globo investiria todos seus repórteres na tarefa de mostrar como a PM é feia, suja e malvada.

Concluído este raciocínio de causa e efeito, de plantação e colheita (aliás, costumava dizer um ex-comandante-geral da PM que “a semeadura é livre mas a colheita é obrigatória), vamos analisar o comportamento ANÁLOGO dos ditos Black Blocs (traduzindo: palhaços de esquerda ou anarquistas que acreditam em quebrar tudo com o rosto escondido, de tão covardes que são) em São Paulo, durante a inauguração do Itaquerão (estádio que realmente surgiu de uma aliança espúria entre Lula e o Corinthians). Nesta notícia  publicada pelo jornalista Cosme Rímoli é possível fazer a analogia. Notem que, quando os marginais da Gaviões da Fiel (sem dúvida são marginais) disseram aos Black blocs “TENTEM A SORTE”, logo os covardes militantes de esquerda FUGIRAM DO PAU. A foto publicada é realmente assustadora.

O leitor mais voltado para o heterosseualismo me dirá:

- Pois é, mas quando é para atacar a PM do Rio, eles não correm!

Exato, leitor. Porque o escopo do Black bloc é atacar a PM do Rio pois SABEM QUE NÃO SERÃO FERIDOS A BALA OU ASSASSINADOS. Podem (na verdade, TORCEM) até levar uma porrada ou outra. Mas nunca morrerem ou sofrerem ferimentos graves. Ora, se forem feridos, ganham vitrine, recebem apoio de sindicatos, são personagens da Globo, as redes sociais imediatamente dizem que “é um absurdo a violência da PM”. A tarefa, o objetivo deles – que é tão somente desviar a opinião pública pela Janela de Overton – é cumprida: desmilitarizem a PM! Ela é feia, malvada, ruim, suja!

Mas por que eles não quiseram então fazer o mesmo com os Gaviões da Fiel?

Pelos mesmos motivos que o René não ataca traficantes: não se controla as conseqüências, não há um limite para as conseqüências.

O que nos leva a concluir: o tal do midiativismo não passa de uma reunião de moleques querendo brincar de Che Guevara.

Esta é a discussão que gostaria de abrir, com os amigos. Se for possível, compartilhem no Facebook e no Twitter.

A OPÇÃO PELO TRÁFICO E OS OPORTUNISTAS DE PASSEATA

Mais uma vez a PM é atacada por todos os lados, por causa da morte de um dançarino da TV GLOBO que costumava postar loas a traficantes mortos em sua conta no Facebook. Coincidentemente, à frente das investigações está um delegado (dr. Gilberto Ribeiro) que tem muito mais do que isenção: tem interesse em culpar ao máximo possível a PM, fazendo vista grossa a argumentos favoráveis aos policiais e enaltecendo conclusões precárias. Afinal, foi chefe de Polícia Civil e saiu do cargo brigado com o secretário, como mostra essa reportagem: (http://www.brazilusamagazine.com/brazilusamagazine/index.php/component/content/article/1-latest-news/66-chefe-da-policia-civil) . Agora, cinco anos depois, tem nas mãos uma investigação que aborda o principal projeto de Segurança Pública do Estado. Ora…

Já falamos aqui sobre o delegado Zaconha e o Amarildo, de como ele fez  de tudo para inocentar ao máximo a família de Amarildo sob argumentos como “é claro que eles são pobres, afinal, vivem numa casa muito pobre”.

Tudo isso é reflexo de um novo Brasil, o “Brasil Manifestante que não quer a Copa”. É um país nascido na estupidez do governo socialista, um país nascido, sim, da exclusão, no sentido de que viramos uma fábrica de analfabetos e desempregados que, mesmo na condição de incapazes de sobreviver na meritocracia, vivem à espera que o Estado resolva seus problemas.

O Estado, ou seja, todos nós.

O resultado disso sempre foi, ao longo dos anos, a formação de um estrato social que “luta” por um país melhor desde que eles estejam “gerenciando as políticas” em algum cargo comissionado. Este estrato, porém, mesmo com a ascensão da quadrilha do PT, dificilmente encontrava eco – o que tornava-os bem discretos e limitados em suas manifestações públicas. Com efeito, uma manifestação do PSTU há uns três anos, não aparecia nem mesmo no jornal do PSTU. Hoje, vai para a capa do Globo Online.

Com as famosas e nada saudosas “passeatas de junho de 2013” (mês escolhido a dedo, já que em janeiro, com aquele calor, não há como fazer passeatas por mais de 10 minutos), qualquer evento urbano passou a ter uma inexplicável visibilidade da mídia. É o mesmo efeito, digamos, da conquista da prata olímpica no vôlei (mais tarde, do ouro): antes daquele milagre em Moscou 1980, assistir vôlei a sério era um programa de minorias (no sentido estrito da palavra, em alguns casos). Depois, tornou-se parte da agenda oficial, mesmo sendo um esporte dos mais enfadonhos (e me perdoe se você não concorda).

Pois eis que o mesmo processo se deu com as manifestações: depois de junho, qualquer grupo de imbecis que já fazia manifestações antes, ganhou relevância e notoriedade e passou a ser ouvido a sério por repórteres que, bem, foram formados em universidades dirigidas por gente como a sra Ivana Bentes. A soma destes fatores – manifestações de imbecis + repórteres sem condições de associar um vaso a uma flor – levou a este estado de coisas: qualquer marginal desempregado passou a ter direito de fechar ruas, quebrar ônibus, incendiar veículos e ameaçar a vida e a ordem urbana, prejudicando o dia de milhões de trabalhadores produtivos.

Esta foi a chance para o partido majoritário federal, o PT, começar a querer vira o quadro eleitoral no Rio de Janeiro – antes, completamente imutável, pelas inegáveis conquistas e avanços do governo (ainda que com muitos problemas, mas todo sistema os tem). Antes das passeatas e do episódio dos guardanapos (divulgado amplamente pelo Blog do Garotinho), era impossível bater um candidato governista em 2014, inviabilizando assim o plano de poder petista com o senador Lindberg. Assim, PSOL, Garotinho e PT se uniram temporariamente e criaram um sistema de passeatas. Funciona assim: sua comunidade tem um problema? Não foi resolvido? A PM pode estar no problema? Vão para a rua! A gente apóia!

E assim surgiu o revoltante projeto Mídia Ninja, que consiste em “repórteres” andando por aí com telefone celular e xingando policiais na rua para poder filmar suas reações e postar vídeos sobre como a PM é truculanta. Assim surge o Coletivo Isso, Coletivo Aquilo, uma gente que vive sabe lá do quê, filmando qualquer coisa para que se espalhe e assim….se eleja um governo que os empregue!

Como pensar que seria diferente no caso do dançarino DG? Como achar que os policiais da UPP terão alguma chance de defesa? É claro que todo o aparato do PSOL, do PT, da Mídia Ninja, do PSTU e do PCO já foi mobilizado para dizer que a PM é “truculenta”, é claro que a desgraça já foi bem aproveitada por estes parasitas – para todas estas pessoas, um favelado vale muito mais  morto do que vivo! Quando vivo, o dançarino valia muito para a musa das favelas, a senhora Regina Casé, que abriu mão do direito de morar em uma dessas bucólicas e agradáveis comunidades por ser obrigada a morar no Leblon. O dançarino passou a valer o triplo agora, já que graças a sua morte, dona Regina pode exibir “liderança” e defender os pobres favelados do órgão repressor a serviço dos ricos, que é a PM. E se um dia eles descobrirem que tem PM morando em favela, e, pior, honesto? Um surto se daria na mente avermelhada desta gente.

Com a entrada em cena de toda essa gentalha armadas de coquetéis molotovs, tambores, faixas e cartazes, o cenário eleitoral ficou mais volátil, e sujeito a manipulações na opinião pública.

E poucas coisas manipulam mais a opinião pública do que um bom cadáver. É do que esta gente precisa. Como a PM é sempre a Geni da sociedade, nada mais fácil do que associar qualquer cadáver à PM. Não há, no governo, na secretaria, na própria PM, ninguém com coragem de defender a PM. Ninguém aparece para falar uma palavra a favor dos policiais – mas todos acham lindo penhorar a própria alma para jurar que o dançarino não conhecia nenhum traficante, que os tiros foram todos da PM o tempo todo. É quase como se fosse uma reação automática: se tem PM, ele está errado.

Queria que as pessoas de bom senso que me lêem imaginassem como é uma profissão que paga mal, tem riscos de vida, e na qual você está sob vigilância o tempo todo, sendo sempre culpado antes de qualquer investigação.

É diferente de ser traficante em morro: ninguém tem coragem de te vigiar, não há “postagens no Facebook” criticando traficantes, sua “arrecadação” é maior, não tem escalas, não tem corregedorias e sempre que a PM age contra, tem a seu lado partidos políticos, ONGs, defensores dos mais diversos tipos. Qual seria sua opção?

Se você é um homem de bem, sua opção continua sendo a PM, mesmo sendo um caminho tão árduo.

O nosso problema é que há alguns anos a sociedade brasileira fez a opção pelo tráfico.

Dois pesos e duas medidas e a proposta de um plebiscito na Rocinha

 

É curioso como temos exemplos de como uma notícia pode ser dada de acordo com o ângulo que o editor deseja. Uma viatura da PM deixa uma pessoa cair (um acidente sem a menor sombra de dúvida), a pessoa é arrastada, mas mesmo com os policiais parando depois de alertados, eles são tratados como psicopatas que fizeram tortura medieval de propósito em uma dona-de-casa baleada.

Não passa pela cabeça de ninguém que aqueles homens simplesmente não queriam arrastar a pobre senhora. Viraram monstros.

Uns 10 dias depois, vem esta notícia. Notem a legenda: “Elizabete Gomes, viúva de Amarildo, grita em defesa do filho, na 11ª DP (Rocinha)”.
O vídeo anexo é apenas o que mostra uma mãe meio desesperada (e com a voz um tanto esquisita, alterada, não sei se apenas pelas emoções ou por algo mais) em frente à delegacia. Um vídeo colocado no Youtube e ENVIADO PARA O WHATSAPP DO EXTRA  mostra a mesma senhora xingando os policiais, mandando “tomar no c(*)”, ameaçando, e várias coisas que levariam um cidadão normal no mínimo a ser detido.

E tudo o que o EXTRA faz é dizer que ela ‘estava em defesa do filho”

Aí passamos a buscar o motivo do filho ter sido detido: atirou LIXO nos policiais!

Sugestão: acabar com a UPP da Rocinha e ocupar a favela apenas com o PSOL e os institutos de defesa dos direitos humanos, e colocar a viúva do Amarildo como subprefeita. Chegou a hora de deixar a favela entregue a sua própria sorte! Afinal, é o que eles mais querem. Façam uma eleição com os moradores:

a) Prefiro o Estado, com regras, deveres, leis e direitos, com polícia e controle

b) Prefiro a baderna, os gatos de luz, o tráfico, os bailes funk com drogas, a bagunça, a desordem urbana, o lixo, as armas, a falta de lei

Se a letra B ganhar, nada mais temos a fazer no terreno, senhores policiais. Façamos o plebiscito!

 

A CAÇAMBA E A TRAGÉDIA

 Mais uma vez estamos diante de uma onda de histeria anti-PMERJ, logo depois de passarmos dois meses chorando mortes de nossos colegas de corporação. Mais uma vez é do EXTRA a atitude mais hostil, mas seguida de perto por todos os âncoras raivosos e, last but not least, pela TV GLOBO.

 

É preciso, antes de tecermos quaisquer considerações, isolar os fatos. Vamos a eles.

 

É lamentável que policiais que têm a missão de salvar vidas atirem uma senhora de 42, baleada, na caçamba de uma viatura. Eles deveriam pensar se fariam isso se fosse a mãe deles. Melhor: deveriam tentar ver a cena com a própria mãe no lugar da sra. Cláudia.

 

Há uma negligência inadmissível no transporte da baleada, não só nas condições de transporte em si como no fato de que eles sequer checaram se a porta estava bem fechada. Resultou no fato: uma freada brusca (uma viatura costuma se deslocar rápida, e é CLARO que se deslocavam rápido porque havia uma mulher EM TESE baleada), e a porta se abre, outra freada brusca e a pobre senhora cai. E fica presa por panos em uma parte do para-choques.

 

Os policiais evidentemente não perceberam nada por alguns metros. Param o carro, alertados por outros motoristas. Saem, tiram a pobre senhora do chão, colocam de volta no porta-malas – outro fato grave, já que deveriam ter percebido que seu estado requeria ainda mais cuidados.

 

É evidente que os policiais devem ser exemplarmente punidos, pois demonstraram desapreço pela vida alheia.

 

Agora, há algo que os policiais NÃO FIZERAM: eles NÃO ARRASTARAM UMA SENHORA FERIDA POR METROS E METROS por VONTADE PRÓPRIA. É claro que foi um ACIDENTE DE TRÂNSITO. São culpados por muita coisa.

 

Infelizmente, no entanto, estão sendo impiedosamente condenados pela mídia como se tivessem optado por isto, como se tivessem premeditado esta tortura, esta monstruosidade. Não há uma voz sequer se levantando para criticar os PPMM pelo erro que cometeram – apenas se deliciam, deliram, se lambuzam com a oportunidade para mais uma vez atacarem, desclassificarem, xingarem, instigarem toda a população contra os “monstros”.

 

Quando soube que a TV RECORD se recusou a pagar R$ 5 mil por este vídeo, entendi tudo. Foi por dinheiro que foi feito – e o ódio daquele  jornal à PM é tão grande que até pagar por notícia seria algo coerente. Coerente com a história deles.

 

Agora, posto isto, vamos falar das medidas judiciais: considerando que é muito nítido que os PPMM NÃO QUERIAM fazer uma barbaridade destas, será o fim da picada que eles sejam expulsos apenas por causa da IMPRESSÃO que eles causaram. Claro que a punição tem que ser severa – mas por causa da negligência e da desfaçatez com que eles trataram um ser humano. Não por serem pérfidos ao ponto de arrastar alguém.

 

Mas ah! Como é bom poder salivar falando da barbaridade cometida! Como é bom poder teorizar em cima de uma tragédia (uma dona de casa miserável morta e três pobres desempregados em breve)! Vi a sra. Leilane Neubarth salivando, babando ao citar o nome dos três policiais, sem nem ao menos pensar que um deles pode não ter nada a ver com o fato (e se ele nem colocou na caçamba e nem sequer estava dirigindo?).  Vejo a cobertura do EXTRA com todos os dentes de fora, prontos a revirar o passado dos policiais e expor qualquer filigrana jurídica. E todos, todos nas redes sociais usando um acidente (horrível) para atacar toda a PMERJ. Uma tranca que se rompeu e pronto, “esta é a PM do Rio”.

 

A meu ver – e não sei se os senhores concordam – estas reações beiram a uma irracionalidade tão grande (ou maior) quanto a de quem coloca uma mulher ferida na caçamba de uma viatura. 

A MÍDIA QUE ADORA PRENDER O CARECA

O jornal O GLOBO, em sua versão na internet, consertou uma informação publicada nesta matéria:

http://oglobo.globo.com/rio/foto-mostra-homem-que-lancou-artefato-que-feriu-cinegrafista-durante-protesto-11533337

Acreditem: na matéria original, o articulista dizia que o homem que atirou o artefato foi fotografado de costas, mas “não se sabia se ele era um manifestante ou um PM à paisana”.

É das coisas mais inacreditáveis que já li. Claro, tivemos o crápula chamado BERNARDO MENEZES (favor guardar este nome) que declarou peremptoriamente, com a maior certeza do mundo, que havia sido a PM a atirar o artefato. Graças a essa declaração completamente parcial e totalmente passional, saiu da toca o Sr. Anthony Garotinho, notadamente um pulha que mantém censurados, por via judicial, áudios em poder de O GLOBO que sepultariam para sempre sua imunda carreira.

 

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Ora, notem que o Sr. Garotinho posta, categorigamente, acusação frontal à PM. Sem perícia, sem investigação, sem provas, sem uma imagem sequer que comprove sua acusação leviana.

É evidente que do Sr. Garotinho é esperada este tipo de atitude porca – e, pelo jeito, da Globonews agora espero tudo. Nenhum veículo da mídia tradicional tem o foco tão “mídia ninja” quanto a Globonews, o que é muito estranho. A sra Leilane Neubarth, ao narrar os acontecimentos, procura defender ao máximo vândalos que destroem patrimônio público.

Agora, o que eu realmente não esperava era ver estupidez do jornal O GLOBO. Vou sugerir então aos nobres globeiros as seguintes linhas de raciocínio:

 

“O assassino de Kennedy pode ter sido Lee Oswald ou um PM à paisana, já que estava vestido normalmente”

“O autor do atentado ao metrô de Londres pode ter sido um terrorista ou um PM à paisana, já que ele NÃO ESTAVA de farda”

“Quem sequestrou os aviões que derrubaram as duas torres podem ter sido terroristas árabas ou mesmo PMs à paisana”

“Quem assinou o Plano Cruzado em 1986 foi o Sarney, mas como ele não estava de farda, possivelmente ele era PM à paisana”

“Cristo foi cruficiado por romanos comandados por Pôncio Pilatos. Mas na Bíblia não há menção a nenhuma farda, logo, é possível que Cristo tenha sido cruficicado por PMs à paisana”

 

Nunca me esqueço daquela velha piada do detetive português:

- A perícia verificou tudo? Alguma pista?

- Não, senhor.

- Nada? Nenhuma impressão digital? Acharam algum fio de cabelo?

- Não, senhor.

- Então podem ir lá no bar e prendam o careca.

 

Assim é a nossa mídia: sempre mandando prender o careca.

 

 

ONDE COMEÇA A CORRENTE DO MAL?

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Há pelo menos dois anos que as redes sociais, antecipando o confronto ideológico das eleições de 2014, se tornaram palco de embates entre modos de ver a vida. Este clima de Fla-Flu (tanto no maniqueísmo quanto no rancor e ressentimento) vem dominando as discussões a ponto de fazer a sociedade, na verdade, regredir em seus escopos, em vez de buscar uma evolução. Só existe intolerância, tanto a favor de justiceiros quanto em defesa da impunidade para pessoas pobres que pratiquem crimes supostamente famélicos.

Se eu disser “estes jovens estão apenas reagindo à maneira com que o Estado os trata”, o interlocutor inteligente não saberá de quem estou falando: se dos jovens abandonados, mal-nascidos, que vivem de atacar de forma covarde ciclistas solitários, ou se dos jovens justiceiros que, diante da inércia do Estado contra a violência, praticam também a ilegalidade de amarrar um menor a um poste.

E quando menciono “inércia do Estado”, me refiro também à Justiça, aos órgãos que simplesmente não resolvem a questão do menor infrator.

Reconheçamos que tanto justiceiros quanto menores abandonados (todos, todos, menores) praticam INFRAÇÕES previstas no Código Penal. O que faz tantas pessoas se importarem apenas com os menores abandonados é algo que passa pelo campo da psicologia  – mas certamente tem a ver com remorso e sentimento de culpa. Ora, estes garotos assaltantes, dias antes, eram mencionados por ciclistas com rosto sangrando, com olho inchado, ao lado de textos citando covardias, agressões. No caso, a revolta de quem lia era dirigida….ao Estado e à PM, ambos por supostamente não tomarem conta do Aterro do Flamengo inteiro ao mesmo tempo. Nenhuma palavra contra menores que se juntam em bando de 10 com objetos de corte e, com comportamento bárbaro, atacam ciclistas e causam lesões corporais.

Eis que o outro erro é cometido, por menores que já foram vítimas dos abandonados. Vítimas, diga-se, em minoria. Atacados por cinco, seis, sete, dez. Estes que já foram vítimas se juntam e atacam um menor. Cometem o crime de cárcere privado e lesão corporal.

Ambos os grupos de menores reagiram. Os assaltantes reagem a sua própria condição miserável, abandonados, famintos. Os assaltados se unem e reagem à falta de segurança, ao desequilíbrio social, à má-distribuição, e principalmente à impossibilidade de andarem na própria cidade sem medo, sem insegurança.

Cometem um crime tão grave quanto o cometido pelos menores. Mas curiosamente, a indignação das redes sociais vai só contra os “justiceiros”. Aí sinceramente li todo tipo de besteiras: comparações com a escravidão, Ku-Klux-Klan, milícias, etc. Interessante como o ato de miseráveis saquearem em grupos cortando ciclistas no Aterro não encontra nenhum paralelo na História.

A lembrança de Thomas Hobbes em “Leviatã” é inevitável. Hobbes alerta contra o “estado de natureza”, contra a “falta de polícia”, e o perigo de uma sociedade onde todos resolvam tudo por suas próprias mãos. Sem lei única, apenas com a lei do mais forte ou, no caso, mais armado. Hobbes está tão certo que suas idéias sobreviveram mais de 400 anos. O problema é que de certa forma, os pivetes também estão fazendo “justiça” social com as próprias mãos. E é impressionante como a esquerda tolera este tipo de justiça.

Vejamos por exemplo o caso clássico da senhora Yvone Bezerra de Mello, sempre a primeira a aparecer ao lado dos menores infratores. Você, caro leitor, acharia natural ver o assaltante que passou uma faca no seu rosto ser acolhido carinhosamente pela senhora Yvone? Seria um sentimento de alívio? Talvez fosse, se este acolhimento significasse o encaminhamento ao Estado para medidas disciplinares, quiçá sócio-econômicas.

Mas não é o que ocorre: dona Yvone lava as mãos e ninguém percebe isto. Abraçando o garoto autor de três assaltos, diz que “se eles cometem crimes é problema da Polícia”. Ora, como assim? Que tipo de “cuidado” presta a senhora Yvone aos menores? Um “cuidado” tolerante a sua vida de crimes? Depois de um dia inteiro de assaltos e ameaças, os pivetes procuram dona Yvone e pedem uma sopinha de batata-baroa e ouvem uma estória de Chapeuzinho Vermelho?

Esta corrente de pensamento contamina as instituições a tal ponto que absolutamente nenhuma delas – Judiciário, Assistência Social, Educação – dá conta da questão do menor infrator, suscitando a discussão paliativa da redução da maioridade penal. Todas são favoráveis a um direito de ir e vir que na prática inclui também o direito de assaltar. E sobra, adivinha para quem? Para as polícias, enxugarem o gelo, prenderem, soltarem, caçarem. Até que a PM, constantemente atacada, acusada, xingada, perde a motivação para o enxugar de gelo e simplesmente para. “Quem não trabalha não erra, quem não erra não é punido”.

Por que o policial deveria se envolver com uma apreensão de menores sabendo que passará horas na delegacia e no dia seguinte estarão livres. E mais: organizações, políticos, partidos, manifestantes, todos estarão do lado de fora, a verificar se os assaltantes levaram algum empurrão ou se foram xingados, a questionar a apreensão e a explicar tudo sob o ponto de vista do crime famélico-social.

Assim, entendemos que não são só os menores assaltantes as vítimas da inoperância do Estado. Cidadãos e policiais também o são. Os primeiros, como vítimas do crime. Os segundos, como profissionais de mãos atadas e sempre criticados, sem que no entanto possam, a exemplo das vítimas, apelar para suas condições sociais como forma de justificar seus malfeitos.

Nesse cenário, acaba prevalecendo, sim, o Estado de Natureza, por mais que as pessoas de bom senso não o queiram.

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