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Dois pesos e duas medidas e a proposta de um plebiscito na Rocinha

 

É curioso como temos exemplos de como uma notícia pode ser dada de acordo com o ângulo que o editor deseja. Uma viatura da PM deixa uma pessoa cair (um acidente sem a menor sombra de dúvida), a pessoa é arrastada, mas mesmo com os policiais parando depois de alertados, eles são tratados como psicopatas que fizeram tortura medieval de propósito em uma dona-de-casa baleada.

Não passa pela cabeça de ninguém que aqueles homens simplesmente não queriam arrastar a pobre senhora. Viraram monstros.

Uns 10 dias depois, vem esta notícia. Notem a legenda: “Elizabete Gomes, viúva de Amarildo, grita em defesa do filho, na 11ª DP (Rocinha)”.
O vídeo anexo é apenas o que mostra uma mãe meio desesperada (e com a voz um tanto esquisita, alterada, não sei se apenas pelas emoções ou por algo mais) em frente à delegacia. Um vídeo colocado no Youtube e ENVIADO PARA O WHATSAPP DO EXTRA  mostra a mesma senhora xingando os policiais, mandando “tomar no c(*)”, ameaçando, e várias coisas que levariam um cidadão normal no mínimo a ser detido.

E tudo o que o EXTRA faz é dizer que ela ‘estava em defesa do filho”

Aí passamos a buscar o motivo do filho ter sido detido: atirou LIXO nos policiais!

Sugestão: acabar com a UPP da Rocinha e ocupar a favela apenas com o PSOL e os institutos de defesa dos direitos humanos, e colocar a viúva do Amarildo como subprefeita. Chegou a hora de deixar a favela entregue a sua própria sorte! Afinal, é o que eles mais querem. Façam uma eleição com os moradores:

a) Prefiro o Estado, com regras, deveres, leis e direitos, com polícia e controle

b) Prefiro a baderna, os gatos de luz, o tráfico, os bailes funk com drogas, a bagunça, a desordem urbana, o lixo, as armas, a falta de lei

Se a letra B ganhar, nada mais temos a fazer no terreno, senhores policiais. Façamos o plebiscito!

 

A CAÇAMBA E A TRAGÉDIA

 Mais uma vez estamos diante de uma onda de histeria anti-PMERJ, logo depois de passarmos dois meses chorando mortes de nossos colegas de corporação. Mais uma vez é do EXTRA a atitude mais hostil, mas seguida de perto por todos os âncoras raivosos e, last but not least, pela TV GLOBO.

 

É preciso, antes de tecermos quaisquer considerações, isolar os fatos. Vamos a eles.

 

É lamentável que policiais que têm a missão de salvar vidas atirem uma senhora de 42, baleada, na caçamba de uma viatura. Eles deveriam pensar se fariam isso se fosse a mãe deles. Melhor: deveriam tentar ver a cena com a própria mãe no lugar da sra. Cláudia.

 

Há uma negligência inadmissível no transporte da baleada, não só nas condições de transporte em si como no fato de que eles sequer checaram se a porta estava bem fechada. Resultou no fato: uma freada brusca (uma viatura costuma se deslocar rápida, e é CLARO que se deslocavam rápido porque havia uma mulher EM TESE baleada), e a porta se abre, outra freada brusca e a pobre senhora cai. E fica presa por panos em uma parte do para-choques.

 

Os policiais evidentemente não perceberam nada por alguns metros. Param o carro, alertados por outros motoristas. Saem, tiram a pobre senhora do chão, colocam de volta no porta-malas – outro fato grave, já que deveriam ter percebido que seu estado requeria ainda mais cuidados.

 

É evidente que os policiais devem ser exemplarmente punidos, pois demonstraram desapreço pela vida alheia.

 

Agora, há algo que os policiais NÃO FIZERAM: eles NÃO ARRASTARAM UMA SENHORA FERIDA POR METROS E METROS por VONTADE PRÓPRIA. É claro que foi um ACIDENTE DE TRÂNSITO. São culpados por muita coisa.

 

Infelizmente, no entanto, estão sendo impiedosamente condenados pela mídia como se tivessem optado por isto, como se tivessem premeditado esta tortura, esta monstruosidade. Não há uma voz sequer se levantando para criticar os PPMM pelo erro que cometeram – apenas se deliciam, deliram, se lambuzam com a oportunidade para mais uma vez atacarem, desclassificarem, xingarem, instigarem toda a população contra os “monstros”.

 

Quando soube que a TV RECORD se recusou a pagar R$ 5 mil por este vídeo, entendi tudo. Foi por dinheiro que foi feito – e o ódio daquele  jornal à PM é tão grande que até pagar por notícia seria algo coerente. Coerente com a história deles.

 

Agora, posto isto, vamos falar das medidas judiciais: considerando que é muito nítido que os PPMM NÃO QUERIAM fazer uma barbaridade destas, será o fim da picada que eles sejam expulsos apenas por causa da IMPRESSÃO que eles causaram. Claro que a punição tem que ser severa – mas por causa da negligência e da desfaçatez com que eles trataram um ser humano. Não por serem pérfidos ao ponto de arrastar alguém.

 

Mas ah! Como é bom poder salivar falando da barbaridade cometida! Como é bom poder teorizar em cima de uma tragédia (uma dona de casa miserável morta e três pobres desempregados em breve)! Vi a sra. Leilane Neubarth salivando, babando ao citar o nome dos três policiais, sem nem ao menos pensar que um deles pode não ter nada a ver com o fato (e se ele nem colocou na caçamba e nem sequer estava dirigindo?).  Vejo a cobertura do EXTRA com todos os dentes de fora, prontos a revirar o passado dos policiais e expor qualquer filigrana jurídica. E todos, todos nas redes sociais usando um acidente (horrível) para atacar toda a PMERJ. Uma tranca que se rompeu e pronto, “esta é a PM do Rio”.

 

A meu ver – e não sei se os senhores concordam – estas reações beiram a uma irracionalidade tão grande (ou maior) quanto a de quem coloca uma mulher ferida na caçamba de uma viatura. 

A MÍDIA QUE ADORA PRENDER O CARECA

O jornal O GLOBO, em sua versão na internet, consertou uma informação publicada nesta matéria:

http://oglobo.globo.com/rio/foto-mostra-homem-que-lancou-artefato-que-feriu-cinegrafista-durante-protesto-11533337

Acreditem: na matéria original, o articulista dizia que o homem que atirou o artefato foi fotografado de costas, mas “não se sabia se ele era um manifestante ou um PM à paisana”.

É das coisas mais inacreditáveis que já li. Claro, tivemos o crápula chamado BERNARDO MENEZES (favor guardar este nome) que declarou peremptoriamente, com a maior certeza do mundo, que havia sido a PM a atirar o artefato. Graças a essa declaração completamente parcial e totalmente passional, saiu da toca o Sr. Anthony Garotinho, notadamente um pulha que mantém censurados, por via judicial, áudios em poder de O GLOBO que sepultariam para sempre sua imunda carreira.

 

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Ora, notem que o Sr. Garotinho posta, categorigamente, acusação frontal à PM. Sem perícia, sem investigação, sem provas, sem uma imagem sequer que comprove sua acusação leviana.

É evidente que do Sr. Garotinho é esperada este tipo de atitude porca – e, pelo jeito, da Globonews agora espero tudo. Nenhum veículo da mídia tradicional tem o foco tão “mídia ninja” quanto a Globonews, o que é muito estranho. A sra Leilane Neubarth, ao narrar os acontecimentos, procura defender ao máximo vândalos que destroem patrimônio público.

Agora, o que eu realmente não esperava era ver estupidez do jornal O GLOBO. Vou sugerir então aos nobres globeiros as seguintes linhas de raciocínio:

 

“O assassino de Kennedy pode ter sido Lee Oswald ou um PM à paisana, já que estava vestido normalmente”

“O autor do atentado ao metrô de Londres pode ter sido um terrorista ou um PM à paisana, já que ele NÃO ESTAVA de farda”

“Quem sequestrou os aviões que derrubaram as duas torres podem ter sido terroristas árabas ou mesmo PMs à paisana”

“Quem assinou o Plano Cruzado em 1986 foi o Sarney, mas como ele não estava de farda, possivelmente ele era PM à paisana”

“Cristo foi cruficiado por romanos comandados por Pôncio Pilatos. Mas na Bíblia não há menção a nenhuma farda, logo, é possível que Cristo tenha sido cruficicado por PMs à paisana”

 

Nunca me esqueço daquela velha piada do detetive português:

- A perícia verificou tudo? Alguma pista?

- Não, senhor.

- Nada? Nenhuma impressão digital? Acharam algum fio de cabelo?

- Não, senhor.

- Então podem ir lá no bar e prendam o careca.

 

Assim é a nossa mídia: sempre mandando prender o careca.

 

 

ONDE COMEÇA A CORRENTE DO MAL?

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Há pelo menos dois anos que as redes sociais, antecipando o confronto ideológico das eleições de 2014, se tornaram palco de embates entre modos de ver a vida. Este clima de Fla-Flu (tanto no maniqueísmo quanto no rancor e ressentimento) vem dominando as discussões a ponto de fazer a sociedade, na verdade, regredir em seus escopos, em vez de buscar uma evolução. Só existe intolerância, tanto a favor de justiceiros quanto em defesa da impunidade para pessoas pobres que pratiquem crimes supostamente famélicos.

Se eu disser “estes jovens estão apenas reagindo à maneira com que o Estado os trata”, o interlocutor inteligente não saberá de quem estou falando: se dos jovens abandonados, mal-nascidos, que vivem de atacar de forma covarde ciclistas solitários, ou se dos jovens justiceiros que, diante da inércia do Estado contra a violência, praticam também a ilegalidade de amarrar um menor a um poste.

E quando menciono “inércia do Estado”, me refiro também à Justiça, aos órgãos que simplesmente não resolvem a questão do menor infrator.

Reconheçamos que tanto justiceiros quanto menores abandonados (todos, todos, menores) praticam INFRAÇÕES previstas no Código Penal. O que faz tantas pessoas se importarem apenas com os menores abandonados é algo que passa pelo campo da psicologia  – mas certamente tem a ver com remorso e sentimento de culpa. Ora, estes garotos assaltantes, dias antes, eram mencionados por ciclistas com rosto sangrando, com olho inchado, ao lado de textos citando covardias, agressões. No caso, a revolta de quem lia era dirigida….ao Estado e à PM, ambos por supostamente não tomarem conta do Aterro do Flamengo inteiro ao mesmo tempo. Nenhuma palavra contra menores que se juntam em bando de 10 com objetos de corte e, com comportamento bárbaro, atacam ciclistas e causam lesões corporais.

Eis que o outro erro é cometido, por menores que já foram vítimas dos abandonados. Vítimas, diga-se, em minoria. Atacados por cinco, seis, sete, dez. Estes que já foram vítimas se juntam e atacam um menor. Cometem o crime de cárcere privado e lesão corporal.

Ambos os grupos de menores reagiram. Os assaltantes reagem a sua própria condição miserável, abandonados, famintos. Os assaltados se unem e reagem à falta de segurança, ao desequilíbrio social, à má-distribuição, e principalmente à impossibilidade de andarem na própria cidade sem medo, sem insegurança.

Cometem um crime tão grave quanto o cometido pelos menores. Mas curiosamente, a indignação das redes sociais vai só contra os “justiceiros”. Aí sinceramente li todo tipo de besteiras: comparações com a escravidão, Ku-Klux-Klan, milícias, etc. Interessante como o ato de miseráveis saquearem em grupos cortando ciclistas no Aterro não encontra nenhum paralelo na História.

A lembrança de Thomas Hobbes em “Leviatã” é inevitável. Hobbes alerta contra o “estado de natureza”, contra a “falta de polícia”, e o perigo de uma sociedade onde todos resolvam tudo por suas próprias mãos. Sem lei única, apenas com a lei do mais forte ou, no caso, mais armado. Hobbes está tão certo que suas idéias sobreviveram mais de 400 anos. O problema é que de certa forma, os pivetes também estão fazendo “justiça” social com as próprias mãos. E é impressionante como a esquerda tolera este tipo de justiça.

Vejamos por exemplo o caso clássico da senhora Yvone Bezerra de Mello, sempre a primeira a aparecer ao lado dos menores infratores. Você, caro leitor, acharia natural ver o assaltante que passou uma faca no seu rosto ser acolhido carinhosamente pela senhora Yvone? Seria um sentimento de alívio? Talvez fosse, se este acolhimento significasse o encaminhamento ao Estado para medidas disciplinares, quiçá sócio-econômicas.

Mas não é o que ocorre: dona Yvone lava as mãos e ninguém percebe isto. Abraçando o garoto autor de três assaltos, diz que “se eles cometem crimes é problema da Polícia”. Ora, como assim? Que tipo de “cuidado” presta a senhora Yvone aos menores? Um “cuidado” tolerante a sua vida de crimes? Depois de um dia inteiro de assaltos e ameaças, os pivetes procuram dona Yvone e pedem uma sopinha de batata-baroa e ouvem uma estória de Chapeuzinho Vermelho?

Esta corrente de pensamento contamina as instituições a tal ponto que absolutamente nenhuma delas – Judiciário, Assistência Social, Educação – dá conta da questão do menor infrator, suscitando a discussão paliativa da redução da maioridade penal. Todas são favoráveis a um direito de ir e vir que na prática inclui também o direito de assaltar. E sobra, adivinha para quem? Para as polícias, enxugarem o gelo, prenderem, soltarem, caçarem. Até que a PM, constantemente atacada, acusada, xingada, perde a motivação para o enxugar de gelo e simplesmente para. “Quem não trabalha não erra, quem não erra não é punido”.

Por que o policial deveria se envolver com uma apreensão de menores sabendo que passará horas na delegacia e no dia seguinte estarão livres. E mais: organizações, políticos, partidos, manifestantes, todos estarão do lado de fora, a verificar se os assaltantes levaram algum empurrão ou se foram xingados, a questionar a apreensão e a explicar tudo sob o ponto de vista do crime famélico-social.

Assim, entendemos que não são só os menores assaltantes as vítimas da inoperância do Estado. Cidadãos e policiais também o são. Os primeiros, como vítimas do crime. Os segundos, como profissionais de mãos atadas e sempre criticados, sem que no entanto possam, a exemplo das vítimas, apelar para suas condições sociais como forma de justificar seus malfeitos.

Nesse cenário, acaba prevalecendo, sim, o Estado de Natureza, por mais que as pessoas de bom senso não o queiram.

A Máscara do Amarildo e o Brasil do ressentimento

A notícia de que será produzida uma máscara do pedreiro Amarildo de Souza e que parte do lucro irá para sua família – parte dela investigada por ligação com o tráfico – nos mostra a triste opção do Brasil dos anos 10. Uma opção pelo rancor, pelo ressentimento, pela raiva cega e pela miséria física e intelectual. Não queremos um Brasil com os olhos no futuro – queremos um Brasil ressentido, o Brasil em que “só não deixamos 5 mil jovens carentes entrar no shopping ao mesmo tempo porque somos racistas” – não o Brasil do Bom Senso, no qual qualquer shopping evitaria a entrada de mais de mil pessoas ao mesmo tempo, sejam elas brancas, pretas, azuis, pobres, ricas, classe média, etc.

 

Temos um Brasil que insiste em ver ódio onde não há. Diria mais: temos um Brasil que está louco para ter Apartheid. Indo ainda um pouco mais longe: um Brasil que quer  ser vítima de Apartheid. Que exige tudo da Polícia, que exige segurança pública – mas sem confronto, sem revistar gente, sem parar ônibus, sem se mexer.

 

O Brasil de hoje tem nojo basicamente de duas coisas: Trabalho e Conhecimento. É um País que se considera sem perspectiva, um país que não consumiu proteína na infância, e que padece de um coitadismo ilimitado. Na visão do Brasil de hoje, um jovem não tem mais condições de estudar e posteriormente de trabalhar – portanto, lhe resta andar em bando, reclamar, reclamar de tudo, xingar, apedrejar. Quem produzirá a comida, a bebida, o lazer destes jovens? O setor produtivo. Quem distribuirá gratuitamente todos estes bens para os jovens? O governo, claro.

 

O governo dará tudo para vocês, desde que consigam espalhar ódio, rancor e ressentimento. Contra os ricos, contra empresários, contra militares, contra policiais, contra religiosos da igreja católica que não sejam de esquerda, contra a Universal do Reino de Deus, contra o Marco Feliciano, contra tudo que possa discordar minimamente dos preceitos dessa gente. Hoje, o Brasil pensa com um cérebro que é mistura de Paula Lavigne com Cyro Garcia. E esse cérebro dificilmente vislumbra um futuro, pois é impossibilitado de ter capacidade de planejamento.

 

É este cérebro que vai usar máscaras de Amarildo no Carnaval: é o cérebro que se alimenta do rancor. É o cérebro que vai usar uma desgraça para que todos se lembrem dela no Carnaval – mas ignora que para nós, policiais, a história do Amarildo também é trágica. É uma história da provável perda de uma vida humana de um lado, do fim de uma carreira militar brilhante do outro. Não pensem vocês que não nos dói.

 

Assim como nos dói ver a forma implacável com que a Mídia nos trata, como verdadeiros vermes, em qualquer denúncia feita por gente com ressentimento contra a PM. O caso dos policiais “flagrados” com mulheres dançando na cabine no Ano Novo é sintomático: o imbecil que filmou ficava narrando e xingando, enquanto as cenas se desenrolavam. Foi correndo entregar o vídeo para a TV Record.

Mas eis que descobrimos que as próprias mulheres pediram para subir na torre para localizar parentes. Constata-se apenas que enquanto isso acontece os PMs fotografam a multidão – ao que parece, é um crime fazer isso. Basta um vídeo como este para que a mídia se apresse em tentar destruir a imagem da corporação?

Pois este é o cérebro do ressentimento, do rancor, do ódio. Este é o Brasil que estamos destruindo. O Brasil dos rolezinhos, onde quem trabalha jamais tem razão. O país que vestiu a Máscara do Amarildo.

Um dia, esta máscara será arrancada à força.

AS FÉRIAS DA LIBERDADE!

 

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Já decidi o que fazer nas minhas férias. Todos os dias vou montar a minha churrasqueira na calçada, impedindo a passagem, e jogando fumaça na cara do meu vizinho. Se alguém vier reclamar, vou acusar de estar com preconceito contra nós, churrasqueiros, e querendo tolhir a minha liberdade de expressão. Depois deste churrasco, vou entrar num restaurante, beber até cair, e urinar embaixo da mesa, já que terei preguiça de ir ao banheiro. Se alguém reclamar, vou acusar de preconceito e discriminação por eu ser branco.

No dia seguinte, de ressaca, vou pegar meu carro e estacionar sobre a calçada. Como meu carro é popular, se vierem multar vou processar o Estado por estar reprimindo as classes mais baixas de estacionar onde quiser. Também vou acusar o Estado de não me dar vagas para estacionar suficientes.

Depois, seguirei para algum shopping na Zona Sul onde vou entrar com um rádio grande em altíssimo volume tocando funk. Se alguém se mostrar incomodado com as letras que falam em “tô ficando atoladinha” ou “tou com tesão”, vou acusar o reacionário de preconceito contra a música dos pobres. Prenderei o infeliz. Absurdo! Atirarei uma pedra numa vidraça mas me defenderei da segurança do shopping argumentando que eu não tenho acesso àquelas roupas de 1000 reais.

Na verdade, nas minhas férias vou procurar ter acesso a tudo que eu não tenho, só que na base da porrada e da bomba. Preparem-se, lojas AGO, não tenho como comprar um Mercedes, portanto, será um dos primeiros lugares onde atirarei pedras. E qual o problema? Vão ficar com preconceito para cima de mim agora? Me excluíram por todos esses anos, agora vou cobrar a conta e melhorar o Brasil!

Depois vou juntar uns amigos e dar um rolezinho em frente a um hospital. Cantando várias letras da Tati Quebra-Barraco. Ora, se algum doente reclamar, que morra, imerso no próprio preconceito nojento, no reacionarismo.  Absurdo, esses doentes não tolerarem a música do povo!

Irei à praia de Ipanema mas sem sunga, sem nada. Ora, é o meu corpo! Qual o problema de crianças verem minha caceta balançando, meu saco exposto ao sol? É a natureza, é o ser humano! Quem reclamar estará sendo reacionário e preconceituoso! Ora, meu pênis é do aparelho reprodutor humano, não há por que alguém reclamar de algo tão divino e natural! E no mais, ir sem sunga fica mais fácil para defecar na praia misturando minhas fezes à água. Ora, vai ficar com preconceito? É matéria orgânica, vai se diluir na natureza! Ah, você não quer ser obrigado a me ver cagar? Seu preconceituoso!

Em seguida vou ao Rolezinho do Shopping Leblon. Um barato, vamos derrubar o ar-condicionado, eu e mais três mil jovens excluídos. Cantando funk e dançando, vamos obrigar os outros a dividir o espaço com a gente. Afinal, todos estes outros são ladrões, que nos excluíram e tiraram o capital de nós da classe trabalhadora! Eles precisam ceder agora, e já! Pouco importa que o shopping feche e não fature e seja obrigado a mandar uns funcionários embora, precisamos passar nossa mensagem! Seus desempregados preconceituosos!

Depois voltarei para casa feliz, tocando meu funk em alto volume de madrugada, porque afinal de contas dormir é algo para elitistas preconceituosos. Estacionarei na frente da garagem do meu vizinho, pois afinal não tenho garagem e esse elitista preconceituoso não poderá tirar meu carro de lá senão chamarei o pessoal do PSOL e do PSTU para me defender.

O que farei mais? São tantas opções em um mundo sem regras que fico confuso. Talvez quebrar monumentos, pichar estátuas se estiver deprimido, atirar pedras em vidraças. Afinal, sou um  major da PM, ganho um salário baixo há anos e me considero um excluído. Moro na Zona Norte, perto de favela, e poderia me considerar um excluído.

O meu único problema é que as pessoas da Zona Sul é que definem quem são os excluídos. E eles excluem todos os PMs da possibilidade de serem excluídos!

Quem diria! Sou duplamente excluído, logo, farei rolezinhos em dobro!  Levem seus filhos pequenos ao shopping, eles ficarão bem tranquilos ao ver a turba chegar aos gritos, mais de mil excluídos!

Aposto que depois destas minhas férias, o Brasil vai se transformar automaticamente em um país melhor, com emprego e renda para todos.

O que sempre nos atrapalhou foi esse negócio de “leis” e ‘regras” que nós importamos dos gringos!

O ROLEZINHO NO QUINTAL DOS OUTROS

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As inacreditáveis postagens do idiota Antero Greco: apreciem sem rir, apesar de ser difícil

 

Nos últimos dias, detectei mais uma ameaça para a Briosa do Rio de Janeiro e que já está plenamente consolidada para a PM de São Paulo: os tais “rolezinhos”, monstruosidades leviatânicas disfarçadas sob um diminutivo ridículo e defendidas por nove entre dez jornalistas/marxistas; preparem-se, policiais do Rio de Janeiro, prepare-se, porta-voz coronel Frederico Caldas, porque em breve a corporação terá de responder a esta sandice enorme: “Por que impedia aqueles 1200 jovens de periferia de trafegarem juntos por um shopping?”.

Não tenho a mais remota dúvida de que estes quase 12 anos de governo de esquerda estão preparando os brasileiros para algo muito grave, muito mais extremo do que podemos imaginar. Em outros tempos, qualquer pessoa de bom senso seria ouvida se dissesse que não acha positivo que uma turba ensandecida e aos gritos circule por um shopping ou por qualquer lugar que seja. Basta pensar no temor que as torcidas organizadas, mormente a do Flamengo, causam nos torcedores comuns quando se formam em “bondes” e passam pelos corredores do Maracanã aos berros. A mim jamais aconteceu nada. Mas já houve brigas deles com outros torcedores, causando mal-estar e sensação de insegurança. Com isto, esvaziamento do Maracanã e evidente esvaziamento econômico.

Curioso pensar que muitos dos empregos em um shopping são ocupados por gente da periferia, da favela, do bairro pobre. E os filhos das putas dos jornalistas como o sr.Antero Greco defendem apenas os vagabundos. Estes que, com matilhas aos berros, podem causar o esvaziamento econômico dos shoppings e consequentemente…o desemprego dos jovens de periferia.

A obsessão de gente como o sr. Antero Greco e o pascácio Leonardo Sakamoto, portanto, é vazia – ambos acreditam apenas no suposto confronto Elite Paulistana x Periferia. No entanto, vimos que no parágrafo anterior o que temos é. “Jovens que não trabalham x Jovens que trabalham”. O que dá suporte a gente como Antero Greco (e possivelmente ao sr. Marcelo Freixo, quando a moda idiota vier pro Rio) é o raciocínio besta de que “os excluídos se cansaram e agora querem a sua parte”. Ora, que sociedade funciona assim, na base do “estado de natureza”? Quem lesse o Leviatã de Thomas Hobbes – e duvido que qualquer uma das três mulas citadas tenha lido – poderia entender que o estado da natureza é bélico, de violência, de lei do mais forte, de leis da selva, e que é necessário haver um poder mediador (rei) que possa impor o temor e manter o equilíbrio. E, portanto, a oportunidade de diminuir a exclusão social é uma série de medidas que NÃO INCLUEM a invasão de locais para saque. Ou, no caso por enquanto dos Rolezinhos, para impor sua égide ameaçadora.

A saída é termos, sim, intervenções como Política de Controle da Natalidade, Investimento Ilimitado em Educação e Política de Desoneração do Estado para Gerar Empregos.  O Estado tem que vender seus aerolulas para poder extorquir menos o setor produtivo, já que terá de gastar menos em supérfluos como os aerolulas (ou aerodilmas). E gastar agora tudo o que tem em escolas de tempo integral e universidades.

Mas voltando ao tema dos rolezinhos, é certo que os esquerdistas vão mencionar esta insanidade com a velha e ruim Justiça Poética da esquerda. Tudo de ruim acontece por causa da exclusão. Assassinato? Exclusão. Estupro? Exclusão? Pichações? Expressão legítima do excluído. Depredação e vandalismo? É porque nós todos excluímos o excluído e agora ele quer se incluir na marra. O próprio sr. Sakamoto outro dia escrevia texto patético em que, por meio da ironia (aliás, está cansativo o uso da ironia pelos colunistas nacionais), defendia que toda manifestação deveria ser violenta e as mudanças acontecerem via porrada. Poderiam começar quebrando o UOL e a Folha, empresas onde estão sitiadas o blog do sr. Sakamoto.

O jornalista Paulo Francis, ainda na década de 1980, dizia que “o Brasil é o único país em que se discute comunismo a sério”. Pois três décadas depois, o que essa gente toda discute é Comunismo. Padecem de um paternalismo babão, de uma condescendência pseudocristã, de um fingimento absurdo – por isso acham “natural” o Rolezinho.

Curiosidade: se revoltariam se fosse um bando de garotos de classe média pulando e gritando? “Ah, mas aí ninguém teria medo”, dirão eles. Mentira. Bando, matilha, sempre causa medo. E lembremos do medo que todos sentem dos “pobres pitboys excluídos” que frequentam boates só para sair na porrada. Tenho certeza que, se em vez dos pitboys fossem jovens negros de favela agredindo pessoas viriam logo os srs. Antero Greco e Sakamoto dizer que “a culpa é dos agredidos”.

Que os “jovens, brancos, ricos e de classe média” da PM se preparem: quando o Rolezinho vier para o Rio, mais uma vez terão de cumprir sua missão de manter o equilíbrio e a segurança, e mais uma vez virão os mesmos babaquaras a reclamar do gás de pimenta, da bala de borracha, etc. Vamos torcer para um Rolezinho dentro da TV Globo e observar como eles lidam com o assunto. Talvez seja a melhor forma. Ou talvez eles façam igualzinho à Briosa.

Afinal, comunista adora ver a revolução acontecer no quintal dos outros. 

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